Vivemos numa época em que tudo acontece rapidamente. Respondemos a mensagens enquanto almoçamos, fazemos reuniões durante o café e, muitas vezes, terminamos uma refeição em menos de dez minutos. No entanto, a velocidade com que comemos poderá ser um dos hábitos mais subestimados na prevenção de diversas doenças.
Estudos recentes sugerem que comer demasiado depressa está associado a um maior risco de excesso de peso, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
A explicação parece estar relacionada com o tempo de comunicação entre o intestino e o cérebro. O organismo necessita de cerca de vinte minutos para activar plenamente os mecanismos de saciedade. Quando a refeição termina antes desse processo ocorrer, é mais provável ingerirmos energia em excesso sem nos apercebermos.
Além disso, mastigar pouco compromete a primeira fase da digestão. A mastigação não serve apenas para triturar os alimentos; estimula a produção de saliva, facilita a acção das enzimas digestivas e prepara o sistema gastrointestinal para receber os nutrientes. Uma mastigação insuficiente pode contribuir para desconforto abdominal, digestão mais lenta e menor aproveitamento de alguns compostos bioactivos presentes nos alimentos.
Outro aspecto menos conhecido prende-se com o impacto na microbiota intestinal. A forma como mastigamos influencia a fragmentação dos alimentos e, consequentemente, a disponibilidade de nutrientes para as bactérias benéficas do intestino. Embora esta área ainda esteja em desenvolvimento, vários investigadores admitem que a velocidade das refeições poderá influenciar, de forma indirecta, o equilíbrio do ecossistema intestinal.
Curiosamente, comer devagar também parece melhorar a relação emocional com a comida. Ao prestar atenção aos sabores, aromas e texturas, aumenta-se a consciência alimentar, reduzindo a ingestão impulsiva e favorecendo escolhas mais equilibradas. Não se trata apenas de comer menos, mas de comer melhor.
Num mundo onde se procuram alimentos funcionais, suplementos e dietas inovadoras, talvez valha a pena recuperar um hábito simples que não custa dinheiro: desacelerar à mesa. Reservar vinte ou trinta minutos para uma refeição, mastigar calmamente e evitar distracções poderá ser uma das estratégias mais acessíveis para promover a saúde metabólica e digestiva.
Por vezes, a inovação em nutrição não está no prato, mas na forma como nos sentamos à mesa.
























