É amplamente reconhecido que, antes de iniciar qualquer dieta ou programa de emagrecimento, deve ser procurado o aconselhamento de um profissional de saúde, principalmente um nutricionista ou o médico assistente. No entanto, esta recomendação nem sempre é seguida. Perante a crescente oferta de dietas que prometem perdas de peso rápidas, muitas vezes à custa da saúde, é importante deixar alguns alertas.
Emagrecer de forma saudável não passa apenas por reduzir a quantidade de alimentos ingeridos. É fundamental garantir uma alimentação equilibrada, adaptada às necessidades individuais, conciliada com prática regular de exercício físico, um sono adequado, um bom estado de saúde e hábitos que possam ser mantidos a longo prazo. A Organização Mundial da Saúde refere que uma alimentação saudável deve ser diversificada, equilibrada e assegurar o fornecimento dos nutrientes essenciais, privilegiando a fruta, os legumes e vegetais, os cereais integrais e as leguminosas, ao mesmo tempo que limita e/ou reduz o consumo de sal, açúcares, açúcares de adição e gorduras (principalmente as saturadas).
Apesar destas recomendações, continuam a surgir propostas que prometem resultados quase imediatos. Dietas excessivamente restritivas, planos alimentares padronizados e soluções sem fundamentação científica consistente continuam a conquistar adeptos, apesar dos riscos que podem representar para a saúde. Enumeramos 10 alertas que merecem especial atenção:
1. Redução excessiva da ingestão calórica
Planos alimentares que implicam uma diminuição muito grande das calorias podem produzir resultados rápidos nos primeiros dias, mas dificilmente são sustentáveis. Quando o aporte energético é demasiado reduzido, podem existir carências nutricionais, perda de massa muscular, fadiga e dificuldade em manter o peso desejado. Idealmente, o emagrecimento deve resultar sobretudo da diminuição da massa gorda e não da perda da massa muscular e de água.
2. Promessas de emagrecimento muito rápido
Uma perda de peso progressiva tende a produzir resultados mais duradouros do que reduções muito aceleradas. O ideal é eliminar entre 0,5 e 1 quilograma por semana, e esse emagrecimento estar associado a uma maior probabilidade de manter o peso perdido a longo prazo.
3. Eliminação completa de determinados alimentos ou grupos alimentares
Excluir totalmente alimentos ricos em hidratos de carbono, gorduras ou outros grupos pode comprometer o equilíbrio nutricional. A Roda dos Alimentos, utilizada em Portugal como referência para uma alimentação saudável, distribui os alimentos por diferentes grupos porque todos desempenham um papel importante no fornecimento dos nutrientes. Em vez de eliminar grupos alimentares sem o consentimento do nutricionista ou do médico assistente, procure fazer escolhas mais adequadas dentro de cada grupo.
4. Centrar toda a estratégia apenas na alimentação
Embora a alimentação tenha um papel determinante, não é o único factor que influencia o peso corporal. A idade, o stress, determinadas patologias, a actividade física, a qualidade do sono, alguns fármacos, alterações hormonais, o clima, e etc também podem interferir na gestão do peso. Destacamos a importância de combinar uma alimentação equilibrada com exercício físico diário, descanso adequado e gerir as emoções, incluindo o stress ajuda a promover um peso saudável.
5. Importância dos nutrientes essenciais
Dietas que restringem drasticamente sais minerais, vitaminas, fibras e outros nutrientes indispensáveis podem comprometer o normal funcionamento do organismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão diária de legumes, vegetais, frutas, leguminosas e cereais integrais, alimentos fundamentais que garantem o consumo de nutrientes essenciais. Reduzir a quantidade de alimentos não significa, necessariamente, melhorar a qualidade da alimentação – não esquecer isto!
6. Perigos associados às dietas restritivas
Alguns regimes alimentares – e acrescentamos restritivos, baseiam-se em limitar a ingestão de hidratos de carbono, gordura e/ou outros nutrientes. E vale a pena alertar que estes padrões alimentares podem originar desequilíbrios nutricionais e prejudicar o bom funcionamento do organismo, particularmente quando não são acompanhados por um profissional.
7. Consequências a nível emocional
Uma dieta não deve provocar medo de comer, sentimentos constantes de culpa ou de compulsão, ou mesmo uma preocupação excessiva com o peso. Actualmente, o tratamento da obesidade e do excesso de peso é entendido como uma abordagem integrada e multidisciplinar que combina alimentação, exercício físico, estratégias de mudança comportamental, bem como de gestão emocional.
8. Falta de individualização
Nenhum plano alimentar será verdadeiramente eficaz se ignorar factores pessoais, tais como; a idade, a altura, o sexo, o estado de saúde, a medicação habitual, os horários, as preferências alimentares, o contexto familiar ou os objectivos pessoais. A evidência científica demonstra que o acompanhamento personalizado por nutricionistas ou médicos assistentes contribui para melhores resultados em relação ao emagrecimento, uma vez que permite adaptar as recomendações à realidade de cada pessoa.
9. Dificuldade em manter os resultados
Emagrecer rapidamente sem modificar os hábitos alimentares e os hábitos diários aumenta significativamente as hipóteses de recuperar o peso perdido. Por isso defendemos uma abordagem contínua à gestão do peso, baseada numa alimentação equilibrada (preferencialmente consciente e intuitiva), exercício físico regular e apoio à gestão emocional, em vez de soluções rápidas, temporárias e pouco produtivas.
10. Iniciar uma dieta sem acompanhamento especializado
Seguir um esquema alimentar sem orientação profissional pode acarretar riscos, sobretudo para pessoas com doenças crónicas, que tomam medicação regularmente, têm antecedentes de desordens do comportamento alimentar, estão grávidas, são idosos ou apresentam necessidades nutricionais específicas. Em todos estes e outros casos recomendamos que o emagrecimento seja acompanhado por um profissional de saúde – nutricionista ou o médico assistente -, com prescrição de planos alimentares personalizados.
Em suma, existe um princípio simples que deve servir de referência: sempre que uma dieta apresenta promessas exageradas, impõe restrições muito rígidas e desconsidera as características individuais de quem a segue, deve ser encarada com prudência. Um emagrecimento saudável não resulta de soluções rápidas, mas sim de informação credível, acompanhamento adequado e mudanças de hábitos que possam ser mantidas ao longo do tempo.
























